Comércio quer 'novos' setores essenciais abertos em 15 dias

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Maurício Filizola, presidente da Fecomércio-CE, cobra a previsibilidade do governo para a reabertura gradual, para permitir que os setores estejam preparados

O comércio cearense é o segundo maior do Nordeste e o 8º do País em perdas no período de pandemia do novo coronavírus. Em cinco semanas houve uma queda de R$ 2,98 bilhões no Estado e de R$ 86 bilhões no País, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio (CNC).

No Nordeste, o Ceará só não teve maior perda que a Bahia, que já atingiu R$ 3,93 bilhões em recursos que não entraram no caixa dos varejistas.

Diante disso, o presidente da Fecomércio-CE, Maurício Filizola, defendeu a reabertura dos setores essenciais ampliados, com a implantação, pelo governo estadual do Decreto Federal Nº 10.329, de 28 de abril de 2020, que trata do acréscimo de atividades
essenciais, além das estabelecidas até o momento, no  Estado. (Veja

cnc
Pesquisa divulgada em 30/04/2020​​​​​

quais os setores no fim do texto).

Objetivo 

A expectativa da liderança do Sistema Fecomércio-CE é que esta abertura se dê em 15 dias, seguidos de mais 15 dias para mais setores.

Em um prazo estimado, todos os setores do comércio, serviços e turismo estariam operando em junho, "em plenitude", conforme almeja Filizola. 

O Sistema Fecomércio defende uma previsibilidade para que os empresários consigam organizar ou programar a reabertura gradual. "O decreto federal traz uma ampliação pequena, mas que é necessária, que já prevê essa flexibilização", disse. Mas lembrou da importância de ouvir as autoridades de saúde, que detêm dados para pautar as regras desta retomada.

"Mas queremos voltar a trabalhar com responsabilidade, dando condições para que esses espaços, que nós gostamos de receber, estejam bem preparados, sem contaminar, sem estar levando doenças", acrescentou Filizola.

Premissas

As premissas iniciais para operação gradual seguiriam os seguintes pontos: "Compatibilizar a saúde e economia com a flexibilização que virá com a retomada gradativa, considerando segurança, efetividade; A retomada gradual depende e deverá considerar a situação e capacidade dos serviços de saúde; Avaliar regiões da cidade/Estado por nível de risco (gerenciar e controlar a flexibilização do isolamento); Acompanhar ‘mapas de calor’ sobre o crescimento da Covid-19 para flexibilizar considerando áreas onde haja um maior controle da situação e Avaliar constantemente regiões onde e necessária a manutenção do quadro de isolamento social".

Demanda

Filizola afirmou, em coletiva, que os varejistas irão manter pontuando junto ao governo sobre a expectativa de postergar ou reduzir a cobrança de ICMS. "Quem dá sustentabilidade à máquina pública são os setores da economia e estamos dando a contribuição do sistema Fecomércio, mas temos que ter o apoio dos municípios e do Estado", ponderou. Falou ainda da necessidade de valorização das empresas locais, de contratos de empresas dentro do Estado para que elas consigam ter sustentabilidade.

Banco Fecomércio

Para se aproximar mais da base dos setores que representa e prestar novos serviços, o presidente do Sistema Fecomércio-CE adiantou que haverá o lançamento do Banco Fecomércio, em breve. A instituição funcionará com o apoio de um banco parceiro e com linhas de crédito para pessoas físicas e jurídicas, em melhores condições de juros.

Haverá ainda o lançamento de uma plataforma de marketplace em 15 dias. A ferramenta de gestão será iniciada para auxiliar os empresários no momento de retomada. O sistema também apoiará os associados nas áreas tributária, empresarial, com o banco e plataformas. "Precisamos estar unidos e cooperando para fazer o retorno mais fácil,no sentido de interação", concluiu Filizola.

Setores que seriam considerados essenciais com ampliação por decreto federal

• Serviços de comercialização, reparo e manutenção de partes e peças novas e usadas e de pneumáticos novos e remoldados;

• Locação de veículos;

• Atividades de comércio de bens e serviços, incluídas aquelas de alimentação, repouso, limpeza, higiene, comercialização, manutenção e  assistência técnica automotivas, de conveniência e congêneres, destinadas a assegurar o transporte e as atividades logísticas de todos os tipos
de carga e de pessoas em rodovias e estradas;

• Atividades de produção, distribuição, comercialização, manutenção, reposição, assistência técnica, monitoramento e inspeção de equipamentos de infraestrutura, instalações, máquinas e equipamentos em geral, incluídos elevadores, escadas rolantes e equipamentos de refrigeração e e climatização;

• Produção, distribuição, comercialização e entrega, realizadas presencialmente ou por meio do comércio eletrônico, de produtos de saúde, higiene, limpeza, alimentos, bebidas e materiais de construção.