Siderurgia traz oportunidades a mulheres cearenses

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Na Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), as mulheres ocupam funções em todas as áreas e a presença delas tem sido crescente. Os programas de Trainee e Jovem Aprendiz são portas de entrada. 

Na Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), 12,9% de seus empregados diretos são mulheres. O percentual vem crescendo, ano após ano, e ultrapassa a média nacional das siderúrgicas brasileiras, cujo índice é de 8% de participação feminina, conforme o Relatório de Sustentabilidade 2018 do Instituto Aço Brasil. Nos últimos dois anos, o número de mulheres contratadas na CSP dobrou.

Elas têm avançado no mercado de trabalho ocupando cargos de liderança e em funções cujos perfis eram tipicamente masculinos. Investem em suas habilidades e competências e apresentam. Há um ano a Mikaele ingressou na CSP  - para seu primeiro emprego - e já está investindo na carreira profissional, dedicando-se ao curso técnico em Metalurgia do CVTEC em SGA. "Eu ouvia falar da CSP, mas não conhecia o processo de produção do aço. Quando abriram as inscrições para o programa Jovem Aprendiz, me inscrevi. Quando comecei a estudar e a ver todo o processo de perto, me apaixonei por isso. O ramo siderúrgico é algo diferente e que me chama a atenção. E aqui é como se a gente fosse os olhos e o cérebro de todo o processo, porque toda a matéria-prima passa por este setor, antes de todo o processo, até o produto final", contou empolgada.

Até 2019, apenas homens ocupavam o setor atuando como laboratorista. Agora, já são quatro mulheres integrando a equipe. "Eu tinha medo de me tratarem diferente e de não dar conta, mas isso não aconteceu. A gente segue um padrão, todo mundo faz a mesma coisa. Isso me deixou mais empoderada. Eu vi que consigo fazer coisas que, muitas vezes, as pessoas falam que a mulher não é capaz - mas, se eu quiser, eu sou capaz", compartilhou Mikaele. 

Desempenho

Essa mudança agregou importantes resultados para a CSP, segundo o gerente do Laboratório de Matérias Primas da CSP, Hilder Caldas. "Por ser um posto com maior carga braçal, que exige um físico mais forte, existia um paradigma de contratação de homens para a função. Mas a gente se surpreendeu positivamente, não só com a capacidade das mulheres de fazerem as atividades do posto, mas também com as melhorias que aconteceram no laboratório como um todo. Elas têm um olhar mais crítico em relação à organização e para dar novas ideias sobre procedimentos e processos. Tivemos resultados excepcionais", relata o gestor.

Estefânia Sousa é técnica em Química e líder da Operação do Tratamento de Água da CSP, onde trabalha há cerca de cinco anos. Ela realiza o acompanhamento de processos para garantir os resultados estipulados, assessora o supervisor do setor e também coopera na parte operacional. "Eu atuo mais na gestão, mas isso não me impede de abrir uma válvula, pegar um peso se for necessário, dentro das minhas condições físicas, e colocar 'a mão na massa'. Limpo o reservatório de água, por exemplo, 'batendo pá' junto com outra mulher e a equipe masculina", conta com orgulho.

Para ela, tem sido desafiador liderar homens, trabalhando em um setor onde a atividade é predominantemente masculina. "Mas a gente conquista no dia a dia o respeito. O que um homem faz, você também faz, não existe diferença. E a  mulher ainda tem o ponto forte de ser mais organizada", contou. A experiência também a modificou. Entre as habilidades que desenvolveu para lidar com os desafios, ela destaca o pensamento mais racional. "Às vezes somos muito sentimentais. Decidi ter sangue no olho e vencer qualquer preconceito", completa.